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Reportagem com o cavaleiro Luis Werneck

Ele está conhecendo o Brasil a cavalo, faz cavalgadas montando cavalos de diferentes raças, visita haras e fazendas, cavalga por vários estados do País. E está sendo um paradigma para os jovens e os menos jovens nas cavalgadas e viagens a cavalo.

Luis Werneck, 62 anos, é um cavaleiro com considerável quilometragem, tendo ultrapassado 6.000 km nos últimos tres anos. Participa de vários tipos de cavalgadas, sejam as 'ações ente amigos', as 'programadas por um Haras ou Fazenda', ou sejam  viagens a cavalo 'estruturadas por profissionais' ou mesmo aquelas em que o grupo de cavaleiros tenha que ser auto-suficiente. Seus cavalos, todos para cavalgadas, são das raças campolina, mangalarga e crioula.

Os comentários dizem que você não tem preferência por nenhuma das raças de cavalo, é verdade?

Tenho, sim. Em primeiro lugar, pelas raças de cavalo apto a fazer cavalgadas. Ora, esse é meu esporte, cavalgar. Não é disputar corridas, nem enduros, nem prova de tambores, nem concurso de adestramento! Tampouco quero ficar sentado assistindo os cavalos desfilarem montados por outros. Busco raças cavalgadeiras e, dentro das raças, as linhagens e criatórios em que os criadores valorizem essa função no cavalo.

E quais são essas raças?

Há várias raças no mundo que atendem esses objetivos de cavalgar. No Brasil destaco, em ordem de antiguidade, os crioulos, os campeiros, os mangalargas (mineiros e paulistas), os campolinas. São raças de características e belezas diferentes, raças de andamentos originados em terrenos muito diversos. Raças de rusticidade, de velocidade de andamentos diferentes, além de pelagens comuns e outras típicas daquela raça. Nas raças, uns apreciam as ancas, outros as cabeças, terceiros as caudas. Há até os que escolhem pelas orelhas!!!

O que é importante então?

Depende do que se pretende. Se a busca é de um cavalo com função, um cavalo que não seja apenas um 'bibelot', o importante é que, no criatório específico em cada raça, o conjunto de critérios de seleção (genéticos, morfológicos, temperamento e de andamento) e os parâmetros de preparação estejam adequados à função que você deseja para o animal. No caso, cavalgar.

O que o terreno tem a ver com os andamentos e as raças?

Vamos tomar um exemplo clássico: o cavalo árabe é 'duro', criticam alguns. Mas no areião do deserto onde se desenvolveu a raça, essa dureza não é sentida. Além do mais, naquele terreno de areia super fofa, não há como se andar a não ser erguendo muito as patas !!! Daí seu andamento. Daí sua resistência e sua excelente performance em enduros. Mas, vá fazer uma cavalgada com ele!

Qual sua percepção atual?

De lá até hoje só vejo aumentar sua dedicação e foco visando a funcionalidade dos animais do Haras. Sei que é um trabalho lento. Tem requerido re-adequações de cruzamentos genéticos, modificação na doma e na iniciação, requereu uma revisão gerencial, e, acima de tudo, a formação de equipe motivada, tecnicamente preparada e pró-ativa. Percebo que isso Luis Augusto vem implementando e liderando com sua visão e sua ação empreendedora.

Última pergunta: e o Cavalo de Cavalgada?

Cavalo capaz de sair e cavalgar em grupo, ou solitário. Pronto para se montar parado. Ter andar firme e seguro, no plano, nas subidas e nas descidas. Saber trilhar, atravessar riachos, laguinhos e charcos. Saber chegar para se abrir porteiras. Ser disciplinado, disposto e ter vontade de andar (os lerdos, linfáticos, deixa-se para as crianças passear). Ter um andamento equilibrado e constante (seja diagonal ou lateral), capaz de cavalgar horas com o cavaleiro sentindo-se confortável em seu lombo. Os cavalos desequilibrados, os baldosos, os irregulares, os maldosos, os trotões, que puxem charrete, façam corrida, ou que sirvam os rodeios! * 


( L. Werneck )

 

 

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